{"id":4182,"date":"2025-06-08T22:22:14","date_gmt":"2025-06-08T22:22:14","guid":{"rendered":"https:\/\/novosmedia.fcsh.unl.pt\/?p=4182"},"modified":"2025-06-08T22:22:15","modified_gmt":"2025-06-08T22:22:15","slug":"o-ultimo-jantar-quem-matou-antonio-almeida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/novosmedia.fcsh.unl.pt\/?p=4182","title":{"rendered":"O \u00daLTIMO JANTAR &#8211; QUEM MATOU ANT\u00d3NIO ALMEIDA?"},"content":{"rendered":"\n<p>Naquela noite, a mans\u00e3o Almeida estava estranhamente vazia. Nenhum empregado. Nenhum som de rotina. Ant\u00f3nio Almeida, o temido patriarca da fam\u00edlia, tinha sido claro: \u201cHoje, s\u00f3 fam\u00edlia.\u201d Um pedido invulgar, quase desconfort\u00e1vel (numa casa onde nunca se mexia um dedo sem ajuda profissional). O motivo do jantar? Ningu\u00e9m sabia ao certo\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Susana, a sua elegante e jovem esposa, era quem preparava o jantar. Um gesto inesperado, at\u00e9 inquietante, vindo de algu\u00e9m habituada a dar ordens e n\u00e3o a descascar legumes. Margot, a assistente alem\u00e3 de Ant\u00f3nio, andava de sala em sala, a verificar tudo com o seu olhar cl\u00ednico e distante. Conferia a mesa, endireitava os quadros, verificava as luzes. Como sempre s\u00f3 pensava repetitivamente: \u201cAlles muss perfekt sein\u2026\u201d (Tudo tem de estar perfeito), nada lhe escapava ao controlo. Os convidados foram chegando. Serafim, o filho de Ant\u00f3nio, mantinha-se calado a maior parte do tempo, os olhos cravados num ponto invis\u00edvel da sala, sempre perdido nos seus pensamentos e projetos. Por\u00e9m, hoje ele encontrava-se claramente desconfort\u00e1vel, talvez ainda a remoer as tens\u00f5es antigas com o pai. E por fim, Alexandre\u2026 \u201cCheguei, cheguei!! Ainda vou a tempo da sopa?\u201d. Alexandre, o irm\u00e3o mais novo e eterno bo\u00e9mio, chegou atrasado como de costume, com um sorriso despreocupado cheio de hist\u00f3rias para contar.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 sentados \u00e0 mesa, ap\u00f3s entradas e brindes formais, sentia-se uma certa tens\u00e3o no ar. Algo estava fora do lugar. E todos pareciam saber disso, mesmo que ningu\u00e9m dissesse nada. Ant\u00f3nio ergue-se com a presen\u00e7a imponente que sempre o definira, sem rodeios, limpou a garganta para fazer o an\u00fancio que mudaria tudo: \u201cRecebi recentemente um diagn\u00f3stico\u2026 preocupante. Um ano, talvez menos. Por isso, tomei uma decis\u00e3o. A maior parte da minha fortuna ser\u00e1 doada a institui\u00e7\u00f5es de caridade.\u201d Os seus herdeiros? Receberiam apenas objectos simb\u00f3licos, pe\u00e7as pessoais que, segundo ele, carregavam mais valor do que qualquer cifra.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O choque foi imediato. As express\u00f5es contidas deram lugar a olhares vazios, respira\u00e7\u00f5es suspensas. Ningu\u00e9m falou. Mas cada um pensava no mesmo: a heran\u00e7a estava a escapar-lhes por entre os dedos.<\/p>\n\n\n\n<p>Pouco depois, Ant\u00f3nio afastou-se da mesa. Disse, com voz contida mas firme, que ia at\u00e9 ao escrit\u00f3rio buscar o novo testamento. Antes de sair, pousou a m\u00e3o no ombro da mulher e pediu-lhe:<br>\u2014 Susana, traz-me um copo do meu vinho preferido, por favor?<\/p>\n\n\n\n<p>E saiu. Levou consigo apenas o sil\u00eancio desconfort\u00e1vel que se abateu sobre os restantes. Era como se todos tivessem ficado \u00e0 espera de uma tempestade prestes a cair.<\/p>\n\n\n\n<p>Minutos depois, Serafim levantou-se. Disse apenas:<br>\u2014 Preciso de falar com o pai.<br>E saiu atr\u00e1s dele. Entretanto, Susana ergueu-se da mesa. Sem uma palavra. O rosto sereno, os olhos frios. Caminhou at\u00e9 \u00e0 cozinha com passos decididos, levando o frasco dos comprimidos de Ant\u00f3nio&#8230; e a garrafa do vinho que ele pedira.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 na cozinha, com os dedos a apertar o gargalo da garrafa, sentiu uma presen\u00e7a familiar atr\u00e1s de si. Alexandre. O cunhado. O amante.<br>\u2014 Est\u00e1s sempre bonita quando ficas nervosa \u2014 murmurou ele.<br>Ela n\u00e3o respondeu. Apenas sorriu com os l\u00e1bios, sem alegria.<\/p>\n\n\n\n<p>A tens\u00e3o entre os dois era el\u00e9trica, conhecida. Um h\u00e1bito escondido entre sombras e sil\u00eancios. Susana queria aproveitar aquele instante, ter aquele momento a s\u00f3s, sem olhares \u2014 como sempre tinham sempre feito, longe de todos, longe de Ant\u00f3nio. Por isso, sem hesitar, entregou o copo j\u00e1 servido e o frasco de comprimidos a Margot, que passava pela cozinha para verificar se tudo estava em ordem.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Entrega isto ao senhor Almeida \u2014 disse apenas.<br>Margot assentiu. N\u00e3o era estranho ser ela a resolver os pequenos detalhes.<\/p>\n\n\n\n<p>E foi assim que Margot, com o profissionalismo habitual, bateu discretamente \u00e0 porta do escrit\u00f3rio. Entrou. Entregou o copo e os comprimidos ao patr\u00e3o, que encontrava-se envolto numa discuss\u00e3o tensa com Serafim. Ouvia-se a tens\u00e3o a ferver. Vozes exaltadas. Palavras cortantes. Feridas antigas rasgadas sem cerim\u00f3nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Pouco depois, Serafim regressou \u00e0 sala. O rosto sem cor, os olhos distantes. Voltou ao seu lugar e n\u00e3o disse uma palavra. Todos retomaram os seus lugares. Todos&#8230; menos Ant\u00f3nio.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi ent\u00e3o que se ouviu o som. Primeiro, um estalo seco, depois, o estrondo de vidro a estilha\u00e7ar-se \u2014 brutal, abrupto, violento.<br>A mesa ficou em suspenso. O ar, denso. Um sil\u00eancio de morte.<br>Todos se levantaram de imediato e correram para o escrit\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A porta estava entreaberta. Susana grita.<br>L\u00e1 dentro, Ant\u00f3nio Almeida jazia no ch\u00e3o, im\u00f3vel. O copo tombado. O vinho espalhado como sangue fresco sobre o tapete. O seu rosto&#8230; preso entre o espanto e a agonia.<\/p>\n\n\n\n<p>O caos instalou-se. Nessa noite o homem mais poderoso daquela casa estava morto. E entre os presentes\u2026 estava o assassino. O&nbsp; legado de um homem terminou antes da sobremesa mas o mist\u00e9rio\u2026 esse, estava apenas a come\u00e7ar.<\/p>\n\n\n\n<p>Afinal?&#8230; Quem matou Ant\u00f3nio Almeida?<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Comecemos, ent\u00e3o, por dar uma olhada de forma mais aprofundada ao que se passou momentos antes do crime &#8211; o que \u00e9 que se viu, o que \u00e9 que se ouviu? Foi tudo muito r\u00e1pido, mas ainda foi poss\u00edvel registrar alguns barulhos&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"h5p-iframe-wrapper\"><iframe id=\"h5p-iframe-501\" class=\"h5p-iframe\" data-content-id=\"501\" style=\"height:1px\" src=\"about:blank\" frameBorder=\"0\" scrolling=\"no\" title=\"Linha do Tempo - Momentos antes do Crime\"><\/iframe><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Vamos, agora, conhecer um pouco melhor os nossos suspeitos. Quem s\u00e3o, qual a sua rela\u00e7\u00e3o com Ant\u00f3nio Almeida, e quais ser\u00e3o os seus poss\u00edveis motivos?<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><code><div class=\"h5p-iframe-wrapper\"><iframe id=\"h5p-iframe-503\" class=\"h5p-iframe\" data-content-id=\"503\" style=\"height:1px\" src=\"about:blank\" frameBorder=\"0\" scrolling=\"no\" title=\"Dossi\u00ea dos Suspeitos\"><\/iframe><\/div><\/code><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Bem, as informa\u00e7\u00f5es acima s\u00e3o \u00fateis, certamente, mas n\u00e3o suficientes para nos fazer chegar ao n\u00facleo da quest\u00e3o &#8211; fomos interrogar os nossos suspeitos. Onde estavam no momento do crime? Qual foi a sua rea\u00e7\u00e3o ao an\u00fancio do senhor Almeida? Qual o seu \u00e1libi? Vamos ver agora&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"h5p-iframe-wrapper\"><iframe id=\"h5p-iframe-502\" class=\"h5p-iframe\" data-content-id=\"502\" style=\"height:1px\" src=\"about:blank\" frameBorder=\"0\" scrolling=\"no\" title=\"Depoimentos dos suspeitos\"><\/iframe><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Antes de conseguirmos ter qualquer certeza, vamos antes analisar com mais detalhe a cena do crime. Os nossos profissionais captaram uma foto, um pouco escura, do escrit\u00f3rio de Ant\u00f3nio algumas horas depois do seu falecimento. O que podemos observar de mais intrigante aqui?<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"h5p-content\" data-content-id=\"504\"><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Bem&#8230; chegou, agora, a derradeira hora. Foi, claramente, cometido um crime, e \u00e9 preciso desvend\u00e1-lo. Afinal, quem matou Ant\u00f3nio Almeida, e como? Achas que consegues descobrir? <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"h5p-iframe-wrapper\"><iframe id=\"h5p-iframe-505\" class=\"h5p-iframe\" data-content-id=\"505\" style=\"height:1px\" src=\"about:blank\" frameBorder=\"0\" scrolling=\"no\" title=\"Quizz final - quem ser\u00e1 o respons\u00e1vel pelo crime?\"><\/iframe><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>E est\u00e1 o crime resolvido&#8230; agora que j\u00e1 sabes quem o cometeu e como, conseguiste prever o desenrolar desta trama?<\/p>\n\n\n\n<p>Trabalho realizado por:<\/p>\n\n\n\n<p>Eduarda Gonzaga &#8211; <a href=\"mailto:a2023128353@campus.fcsh.unl.pt\">a2023128353@campus.fcsh.unl.pt<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Gelissa Aljofre- a2023141861@campus.fcsh.unl.pt<\/p>\n\n\n\n<p>Tiago Silva &#8211; <a href=\"mailto:a2023121424@campus.fcsh.unl.pt\">a2023121424@campus.fcsh.unl.pt<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Valentina Franchi &#8211; <a href=\"mailto:a2023123783@campus.fcsh.unl.pt\">a2023123783@campus.fcsh.unl.pt<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Naquela noite, a mans\u00e3o Almeida estava estranhamente vazia. 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